sábado, 14 de setembro de 2013

TEMPOS FAVORÁVEIS

                                                           

Em plena adolescência, tempo caracterizado por ser tempo de mudanças, pois a criança, que se é em dependência total dos pais, passa a indicar, e mesmo assumir, gestos, ações e comportamentos próprios, sinais evidentes de salutar independência à formação da mulher e do homem, que se espera, mas ainda tão necessitada de diálogo e de afeto, jamais de “jogos de guerra”. Em tempo assim tão favorável, menino-jovem de 13 anos assassina os pais, avó e tia, e também extingue-se em suicídio.
Em pleno vigor democrático, tantas e tantos de sucessivas gerações vão às ruas e expressam em movimentação espontânea e sincera o inconformismo ante o estado de coisas a caracterizar a república brasileira como dissociada da vontade popular porque corrupta, com os poderes alicerçados na barganha; no perpetuar-se, a qualquer preço, no governar em escancarado jogo de interesses escusos, expulsas que estão do convívio cidadão a ética e a justiça. Em tempo assim tão favorável, o que se tem hoje são pequenos bandos, aqui e acolá, encapuzados e desvairados na correria e rastro alucinados do destruir, por destruir, quem sabe assim a chamar atenção da voz de governo que, quando se fez ouvir, o fez por forma tíbia, genérica e desperdiçou possibilidades significativas no quadro da democracia participativa.
Em pleno debate jurídico, compromisso de quem se fez julgador para com simplicidade, objetividade e concreto serviço ao bem comum, pela definição e afirmação de valores, que diuturna e paulatinamente dão forma e vida à sociedade humanista, que respeita a divergência e com ela habita, pacificamente; que acolhe, e se empenha para que a exclusão social não mais aconteça; que aos olhos da lei e das decisões judiciais todas e todos tenham tratamento igual, sem distinção de classes e opções políticas. Em tempo assim tão favorável, caprichos e vaidades perpetuam-se em decisões longas, fastidiosas e prolixas tão distantes da compreensão do significado do ato de decidir não como ato de egocêntrica imposição, mas de ensinar a conviver.
Tempos, assim, tão favoráveis, por favor, não deixemos que escoem por entre nossos dedos.

Tempos, assim, tão favoráveis, pedem-nos conversão de rumos a partir de mudanças reais em nossas atitudes e em nosso viver, não importando o quanto já tenhamos vivido. Afinal, somos independentes e, por isso, o tempo não nos é dado para nos aprisionar, mas para descobrir, sempre, o que, verdadeiramente, podemos ser.               

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